quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

NOMES

Pero Vaz de Caminha
Pero Magalhães Gandavo
José de Anchieta , Manuel de Nóbrega ,
Gregório de Matos.

Gabriel Soares de Souza
Manuel de Nóbrega , Bento Teixeira,
Botelho de Oliveira , Rocha Pita,
Padre Antônio Vieira.

Claudio Manuel da Costa , Tomáz Antônio Gonzaga
Santa Rita Durão , Joaquim Manuel de Macedo,
Basílio da Gama ,Silva Alvarenga,
Casimiro de Abreu , Álvaro de Azevedo.

Alvarenga Peixoto , José de Alencar,
Manuel Antonio de Almeida , Alberto de Oliveira,
Alfredo Taunay , Bernardo Guimarães,
Franklin Távora , Castro Alves , Raimundo Correia.

Gonçalves Dias , Casemiro de Abreu
Junqueira Freire , Fagundes Varela,
Machado de Assis , Vicente de Carvalho,
Julio Ribeiro , Francisca Julia , Raul Pompéia.

Olavo Bilac , Cruz e Souza,
Alphonsus de Guimaraens, Lima Barreto,
Graça Aranha, Euclides da Cunha,
Mario de Andrade e Lobato , o Monteiro.


Guilherme de Almeida , Menotti del Pichia
Raul Bopp , Ronaldo de Carvalho , Osvald de Andrade.
Graciliano Ramos , José Lins do Rêgo , Jorge Amado,
Rachel de Queiroz , Carlos Drummond de Andrade.



João Cabral de Melo Neto, Cecília Meireles ,
Clarice Lispector , Érico Veríssimo. 
Murilo Mendes , Jorge de Lima,
Poesia Concreta ,Vinícius.


NIETZCHE II

Ares que contornam
esta matéria imensa e grosseira:
quão leves sois , quão sutis. 
Por isso mesmo não me servis.

Gazes coloridos ,
que fazeis minha aura visível
sois parte do indizível,
do impronunciável :
Deste modo não me servis .
Sou aquele que busca o denso,
meta-compreensões não me dão
alento.
Preciso do sólido , do humano ,
banal cotidiano .
Isto é que não entendo nem alcanço.

NIETZCHE

“Um povo é o rodeio da natureza para
chegar a seis ou sete grandes homens. 
Sim , e para depois evitá-los”.[1]

Nada do que sou pode ser usado
na compreensão de meu mistério. 
Estranho a mim mesmo:
sou aéreo.
Afasto-me dos que me acariciam
dos que me agridem -¾
não falo sua língua,
nem eles a minha.
Nesta babel de sentimentos
perco-me entre murmúrios ¾
lamentos, ladainha.

Apenas minha voz ecoa
¾ atordoa ¾
meus pensamentos.

Neste caos - algazarra, 
forjo expressões-adagas
palavras-cimitarras .
Canto e danço
alegre com a algaravia,
reencontrando meu prazer. 
Sou estranho a tudo e a todos
menos ao ser.


[1]  F. Nietzche “Além do Bem e do Mal”, aforismo 126 ,texto integral , Hemus Ed.

MITOS

Mitos que flutuam
sobre ombros desavisados
cabeças inocentes,
de seu peso e significados.
Mutável atualidade perene
(casamento de Heráclito e Parmênides)
pai da razão , do sonho.
Mito que alimenta de beleza o bisonho
que estrutura a solidez em cordas , nós.
Mitos de monstros,de heróis, 
Moiras que tecem nosso destino,
de deuses e outros seres,
tão mais densos,às vezes,
que esta insípida realidade. 
Zeus, Hera, Olimpo:
mitos de majestade.

MISTERIOSOS VERSOS

Misteriosos versos
diversidade
minha realidade
verdade - insânia
estranha sanidade.

Versos sem rumo
de perdição¾
minha existência inteira
indefinição
elástica,
que se distende,
plástica,
até onde vai a mente,
a percepção.

MINHA POESIA

Minha poesia é simples
digerível,
mastigável,
clara e com sentido
sem, entretanto , tudo esclarecer.
(Mancha rápida na madrugada
benévola transgressão da lei
verbo - spray
borrifando nos espíritos
idéias líquido ,
 nódoas , herméticos símbolos ,
publicados nos muros das almas
lidos de um susto por pios e ímpios)
Não é poesia louca,
mas, por outra,
também não tem padrão. 
Meus versos apenas expressam
a emoção
tosca,
que escapa pela mão.
(Não busco complexidades
nem indiscutíveis verdades
porém não creio que banalidades
possam ser chamadas de arte)
Quero tomar audíveis os sons
que vêm dos meus lábios
pros meus ouvidos.
(O silêncio não é o inimigo,
a ameaça está na inconsciência,
na inconsistência do que está pouco nítido.)

Se bem que aprove o descontrole na elaboração
mais forte é o apelo compreendido,
mais romântica a loucura com razão,
mais útil o dardo que tem um alvo
que atinge firme, preciso e calmo
o centro exato da significação.

MENDIGOS NAO USAM BLUSH

Certas vezes palavras casuais
têm intentos dissimulados,
intuitos furtivos ,disfarçados
flertes anônimos ,
envergonhados suplicando afeto,
implorando abraços que se hesita em dar.

(assim também quando conversamos,
o verdadeiro sentido me escapa,
tantos olhos tanta prosa
só com o intuito de ocultar.)

Relutamos em agir
refugamos em falar
mas os rostos,
(nossos rostos maquiados)
denunciam nossa cobiça,
manifestam o desejar.
Somos , ambos, dois mendigos
de amor e de carinho
esmolando com os olhos
por migalhas de paixão
tudo cool - bem discreto
rostos corados, “flush” .


mas mesmo que disfarcemos
mendigos não usam blush.