sábado, 12 de março de 2011

LUXÚRIA

No amor e na existência
nas estradas - livres - da indecência
preocupados em ficar sossegados,
quietos , exilados,
distraídos de toda preocupação
toda responsabilidade , aporrinhação
mergulhados um dentro do outro,

permanecemos
harmônicos,
anônimos ,
 discretos,

você passiva, eu ereto,
gestos comedidos,
 secretos,

belos,
maravilhosos gestos.

LÍQUIDOS

Chove .

E deve chover mesmo
enquanto faço o que devo
percorrendo , desejo em desejo ,
tua estrada de delícias .

Chove .

Meu lábio , há muito ocioso ,
vai buscar teu sexo ansioso ,
teus calorígeros sabores
tua matéria alucinada :
barriga , perna que não se acaba ,
pele demais pra pouca língua ,
úmida , tépida , salgada .

Chove

Aqui e lá fora
líquidos fertilizam a flora
jorram cascatas gloriosas
do mais puro frescor.

O céu ama a terra ;
nós fazemos amor .

LEMBRANÇAS

Te desejo de muitas formas e modos .
Capturo tua imagem e elaboro
em rememorações , fantasias , solilóquios .
Pensando nas tuas formas , me demoro
Mente trabalhando , aqui deitado ,
saboreio migalhas da imaginação
extraio sensações da fumaça,
teço corpo , clima , situação.
Começo pelas pernas maravilhosas ,
longas , quentes , voluptuosas ,
devorando-as com cuidado e devagar ,
iguaria sem par para línguas gulosas .
Depois passo minhas mãos etéreas
por essas nádegas alvas , rijas , rotundas ,
descendo devagar meus dedos pelo meio
até encontrar tua parte mais fecunda.
Aí , com cuidado e esmero ,
fico trabalhando , pra teu desespero ,
minutos e minutos , sem pressa , com malícia ,
arrancando suspiros desta delícia .
Contorno depois teus mamilos ,
e desço as mãos pelo lado ,
corro os dedos pelo umbigo ,
mais para baixo ,
onde é mais molhado .
Aí novamente me demoro
na execução desse bendito rito
olhando teu rosto avermelhar ,
esperando o gemido virar grito . 
E no teu delirante gozo ,
explode também o meu delírio .

INTERCURSO

Pele dela
pela fresta
negra greta
sem aresta
reta .
Têtas eretas
púbis - floresta
que o membro penetra
penetra
e penetra .
Prazer a postos
como sentinela .

GOSTOS

Gosto de deslizar minha língua em tua coxa
lenta, úmida, macia ,
de perder assim a tarde e o dia ,
reconhecendo terreno ,
vivendo entre teus gemidos ,
morrendo por teu veneno .


Gosto de provar da tua boca
o sabor desta língua louca ,
o gosto das coisas que desejo ;
tua voz baixa e rouca ,
murmurando enquanto tiro tua roupa ,
e desvendo aos poucos teu segredo .



Gosto do gosto do mundo
que tiro do meio do teu seio ;
gosto do seio de teu meio
onde sou uno .

FANTASIAS

o som da tua voz é cálido
como se o telefone
transmitisse hálito.
Toco teu  mamilo em pensamento
com esta mesma fálica língua
que agora movimento
enquanto falo.
Ouço tudo que dizes
e , embora trêmulo ,
calo .

EROS E O ALIMENTO

Minha mão erra  ,
por cada centímetro de tua pele  ¾
monótono , no que é visível ,
o jantar prossegue .

Conversamos amenidades
falamos da música , da idade .
Só ênfases descabidas
denunciam excitação .
Mais sábia ,
avança minha mão ,
e tolices ganham indevida intonação .


Sua boca balbucia as palavras ,
num discurso anormalmente plácido ,
a comida no ar , parada ,
à espera não dos dentes  , mas do orgasmo .